o blog de contato

Setembro 21, 2008

Sangue nos olhos

Para o centésimo post fiz um poema que conta um pouco da luta que todos nós vivemos.

Namastê,
Rodrigo Polacco.


tenho sangue nos olhos
carne nos dentes
calos nas mãos
tenho sede de luta
sangue guerreiro
fogo no peito
meu dia começa cedo
termina tarde
mas é tudo de bom

minha sede não cede
meu suor não escoa
minha voz ecoa um grito
uma fúria de luta
queima tição preto
[em meu peito
enche os olhos de sangue
que é luta e não vingança
inflama a 'lma
afia os dentes
que hoje é dia de luta
[e não luto

meu pensamento voa
minha mente vagueia
mas com os pés no chão
crio meu futuro

Julho 22, 2008

Vida incerta

sem conversa versa o poeta
e mudo muda o rumo das palavras
escreve em vão uma vida dividida
em seu coração o mundo soa uma canção
alma penada, vida velada
tem mente de criança levada
e quando o vento sopra o coração
coloca a caneta em ação
e com mãos a obra
obra a palavra inversa
nessa vida tão incerta

Julho 18, 2008

ANEL DE LATA

LATA NA PRAIA
FÁBRICA NA CIDADE
PATO, GATO, GALINHA

CIDADE NA LATA
PRAIA NA FÁBRICA
CASA, CIMENTO, CASAMENTO

NOS DEDOS... UM ANEL
NA CABEÇA... UM CENÁRIO
SEM FLOR, COM COR
SEM FLOR... FOGO
COM COR... COURO
ANEL DE OURO

COM POUCA VISÃO, CONFUSÃO
CAI O DIA SEM NOITE
SOBE A NOITE SEM DIA
FOGE A LUA DO SOL
UMA ESTRELA SEM TRELA
ESTRALA O PEITO O DESPEITO
DE UM DIA SEM COR
DE UM DIA SEM COURO
UM DIA SEM MINHA FLOR
SEM MEU OURO

Maio 29, 2008

versa na conversa

versa na conversa
[e vice-versa
o verso no verbo
o verbo no verso
[e vice-verso
assim mesmo...
[ao acaso

caso no descaso
[e descaso o caso
no descompasso do passo
na serenidade da idade
[e quem sabe é assim
assim mesmo...
[ao acaso

casco bico
corro de lado
pulo do barco
subo na ladeira
levanto a poeira
só para me divertir
vertendo a terra
vertendo o riso
[de meus lábios
até que a vida se encerre.

AMARela

amarela é ela
ela, que ama amarem ela
que ama ela
que ama amar ela
que ama o mar e ela
que amarela brilha
que é minha ilha
que é meu mar
que é minha vida
minha mulher-mar(av)ilha

Caminho

num dia sem lua e sem sol
numa manhã sem céu azul ou chuva
numa hora sem trânsito ou
a rua vaga vazia em vão
e vou vagarozamente vagando o vão
numa tarde sem pão e sem café
por uma rua sem prece e sem fé
por um traçado sem pressa e com fé
feito a flecha disparada
que no muro, depara o duro
[e atravessa
atravesso e verso
num caminho sem reverso
pois a vida é verso
e seu inverso é sem reverso
pois seu caminho é verso
pois o carinho é verso
que não retrocede o vão
que nasce da mãe ao mundo
mundo-mãe, Gaia

Março 29, 2007

No la conosco

Me voy al redor
Al olor de la dolor
Y me voy... me voy
Yo no soy pero estoy
Y pero si un ruiseñor
Un pájaro de mi dolor
[Sin ninguno color
No más estoy...
Pues la vida
No conosco nadie !

Janeiro 25, 2007

Menina Lorena

Lorena, Lorena, Lorena
Quisera deus foste morena

Luz das entrelinhas
Menina sincera, menina minha
Quisera deus foste rainha

Lagoa ultima da alegria
Menina matreira, menina guerreira
Quisera deus foste fogueira

Na tarde corre mais que o vento
Na noite incandeia o mais gélido
                              [dos corações
É menina de manha
É maça do paraíso
É desatino divino
De coração colorido
É menina Lorena
Dos Goias para o Brasil

Dezembro 13, 2006

Madrugada em São Paulo

Este inferno deste inverno que não passa
Neste frio desagasalhado de são Paulo
Nos farois as crianças trêmulas
                                                 [clamam por piedade
Os artistas jogam suas bolas ao céu
                                                 [em troco de uns trocados
O motorista troca de lado e inquieto
                                                 [fecha as janelas
A troco de nada observo este frio que não quer passar
Enquanto confortavelmente os motoristas se movimentam

Julho 13, 2006

Primeiro Olhar


primeiro foi o olhar cativante
depois um jeito de amar
de despir a noite em nuvens
num sol que sei
sei que se fez assim
numa densa rocha uma imensa maré
e do norte ao sul um só sol
que deliciosamente me devora