Setembro 10, 2010

Vida de fugitivo

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Vida de fugitivo
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crianças no pátio
pulando como bolas
de um lado a outro
quicando o chão
pelas paredes e pelo ar
ruidosas como o mar
quebrando como ondas
o silêncio da tarde
nas areias do feriado

como balões no céu
em festa de São João
como balcões dos bares
da Avenida São João
enchendo de alegria
os olhos e olhares vazios
de vidas resumidas num copo
num trago de cigarro
num jogo de pôquer
ou em outro vício qualquer

qualquer dia destes
a cirrose
o câncer
a enfisema
a bancarrota
despertará uma nova vida
rasgando os olhos e olhares vazios
que como crianças
encherão os parques das praças
os copos de água cristalina
e os pulmões de vida

e num fino fio
invisível e indivisível
os destinos e desatinos
como chuva na mata
água no ralo
raio no para-raios
dissiparão
desaguarão num novo copo
desabrocharão numa nova rosa
seguindo o curso natural
nesta vida...
de tanta pétala
de tanto espinho
onde tudo que resta
é o nosso caminho

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